‘Estoquem comida, abasteçam seus carros’: notícias falsas alimentam pânicoapostas final da libertadoresmeio à greveapostas final da libertadorescaminhoneiros:apostas final da libertadores

Crédito, Tania Rego/Ag Brasil
"É impensável pensar num prazo desses no Brasil", diz Maurício Lima, sócio-diretor da consultoria Ilos, especializadaapostas final da libertadoreslogística e distribuição. Segundo ele, o fornecimentoapostas final da libertadoresgrandes cidades como São Paulo tende a se normalizar muito rapidamente depois da greve.
Hoje, a distribuiçãoapostas final da libertadoresalimentos nas cidades funciona com as próprias empresasapostas final da libertadoresvarejo tendo seus centrosapostas final da libertadoresdistribuição regionais, que fazem a entrega para as lojas com frequência diária ou semanal.
"O estoque não fica mais na loja. Então, uma faltaapostas final da libertadorescombustível pode gerar uma certa escassez momentânea, mas assim que a greve acabar, o retorno dos produtos às gôndolas também é imediato, porque não depende da indústria. O estoque já está lá", explica Lima.
O fornecimentoapostas final da libertadoresperecíveis é um pouco mais afetado e pode gerar alguns prejuízos, mas nada que prejudique a distribuição no longo prazo e justifique a montagemapostas final da libertadoresum estoqueapostas final da libertadorescasa.

Crédito, Marcelo Camargo/Agência Brasil
E uma corrida a supermercados e postosapostas final da libertadoresgasolina acaba, inadvertidamente, piorando a situação dos próprios consumidores: infla os preços e piora a escassez, segundo Otto Nogami, professorapostas final da libertadoreseconomia do Insper.
"As pessoas têm uma capacidadeapostas final da libertadoresse contagiar muito fácil e muito grande, gerando uma ansiedade e um medo que não correspondem ao problema real", diz ele.
'Profecia autorrealizável'
"É uma profecia autorrealizável. Se todo mundo quiser fazer uma estoqueapostas final da libertadorescasa com medoapostas final da libertadoresfaltaapostas final da libertadoresprodutos, vai provocar uma escassez que normalmente não haveria", afirma Lima.
Se muitas pessoas correm a um supermercado ao mesmo tempo, é maior a chanceapostas final da libertadoresum desabastecimento realmente acontecer, assim como a corrida desenfreada a um banco por temorapostas final da libertadoresele quebrar pode fazer com que o bancoapostas final da libertadoresfato quebre, porque não haverá dinheiro suficiente para suprir a demanda "surpresa".
É o que economistas chamamapostas final da libertadores"a tragédia dos comuns". Nas circunstânciasapostas final da libertadoresque todos compartilhamos dos mesmos recursos, pessoas agindo racionalmenteapostas final da libertadoresinteresse próprio acabam tendo um comportamento coletivo irracional e que prejudica a todos - esgotando os recursos comuns.
"A ameaçaapostas final da libertadoresum furacão nos EUA também leva as pessoas a correrem aos supermercados. Chamamos issoapostas final da libertadores'prova social'", diz à BBC Brasil o economista Robson Gonçalves, coordenador do cursoapostas final da libertadoresNeurobusiness da FGV-SP.
"Se você passar na rua e vir todo o mundo olhando para o céu, fará o mesmo, com medoapostas final da libertadoresperder algo. Se todo mundo no seu trabalho participar do bolão da loteria, você participará também, com medoapostas final da libertadoresficarapostas final da libertadoresfora. É um comportamento comumapostas final da libertadoresmomentos críticos."
Esse "medoapostas final da libertadoresficarapostas final da libertadoresfora" também é um dos fenômenos que explicam as bolhas econômicas: muitas pessoas embarcamapostas final da libertadoresuma tendênciaapostas final da libertadorescompraapostas final da libertadoresações sem avaliar os riscos, só porque os colegas então comprando, o que acaba gerando uma supervalorizaçãoapostas final da libertadoresum ativo que não tem tanto valor e causando a bolha.

Crédito, Marcelo Pinto/APlateia
É o mesmo movimento que explica a quedaapostas final da libertadores14% nas ações da Petrobrasapostas final da libertadoresquarta para quinta-feira, segundo Otto Nogami, do Insper.
"Não haveria razão para um queda tão significativa. À medida que a Petrobras admite que vai reduzir os preços e fica a impressãoapostas final da libertadoresque o governo vai interferir na estatal, algumas pessoas são levadas a vender os papéis. Quando várias pessoas começam a seguir essa tendência, há um efeito cascata", diz Nogami.
Prejuízo
Além disso, reaçõesapostas final da libertadoresconsumo impulsivas e irracionais podem, por vezes, beneficiar mais o vendedor do que o comprador.
"Quando você vai comprar uma passagem aérea na internet e lê que 'só há mais duas passagens disponíveis para esse voo', despertaapostas final da libertadoressi um processoapostas final da libertadoresmedo e defesa (que a faz comprar)", prossegue Gonçalves.
Esse é outro ponto a se pensar antesapostas final da libertadorescorrer a postos e mercados: vendedores com frequência se aproveitam disso para vender mais e mais caro, sabendo que a demanda irracional pagará o que for pedido.
Ao estocar um produtoapostas final da libertadoresaltaapostas final da libertadorespreços nesse momentoapostas final da libertadorespânico, o consumidor pode pagar mais caro por algo que dali a alguns dias já teria uma distribuição regularizada e um preço normal.
Ações irracionais e seus impactos no comportamento socioeconômico das pessoas são há tempos estudadas pelos economistas e psicólogos.

Crédito, Tomaz Silva/Ag Brasil
O psicólogo israelo-americano Daniel Kahneman, por exemplo, ganhou o prêmio Nobelapostas final da libertadoresEconomiaapostas final da libertadores2002 por seus estudos mostrando que tomamos decisões com baseapostas final da libertadoresum processamento limitado das informações disponíveis, por contaapostas final da libertadoresvieses cognitivos, incluindo nosso interesse próprio, confiança excessiva ou experiências prévias, além da incapacidade do cérebroapostas final da libertadoreslidar com múltiplas variáveis ao mesmo tempo.
Como reagir?
Mas, então, como responderapostas final da libertadoresmodo mais eficiente a crises como a greve atual?
Pessoas que tenham urgência para viajar ou precisemapostas final da libertadoresum determinado insumo podem não ter como escaparapostas final da libertadoresdeterminadas filas nos postos ou preços elevados.
Mas, ao público geral, a recomendaçãoapostas final da libertadoresGonçalves, da FGV-SP, é justamente racionalizarapostas final da libertadoresmomentos críticos - e priorizar. Ao enfrentar uma escassez momentânea, pensarapostas final da libertadoresquais produtos essenciais podem acabar emapostas final da libertadorescasa no curto prazo, mas evitando fazer estoques desnecessários.
"Com falta eventualapostas final da libertadoresdeterminado produto, buscar um substituto", diz Nogami, do Insper.
"Em um mundo com excessoapostas final da libertadoresopçõesapostas final da libertadoresconsumo, não estamos mais acostumados a priorizar", diz Gonçalves. "Mas podemos aproveitar momentos como este para refletir: o que é realmente prioridade e quais as consequênciasapostas final da libertadoresnossas escolhas? O foco nessas horas vai ajudar a tornar as decisões mais racionais."
Mauricio Lima afirma que, mesmo que a greve continue, as empresas serão forçadas a buscar uma solução. "Nem que seja pressionando por um acordo entre os grevistas e o governo."








