'Como mensagemxbet 99seguidora salvou minha vida':xbet 99

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Mensagem enviada por seguidoraxbet 99rede social mudou a vidaxbet 99mãexbet 99gêmeos
"Ela disse que leu meu relato sobre as minhas dificuldades, principalmente com a amamentação, e disse ter se reconhecido no meu desabafo", diz Caroline à BBC News Brasil.
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Fim do Matérias recomendadas
A seguidoraxbet 99Caroline havia enfrentado, meses antes, um quadro severoxbet 99depressão pós-parto.
"A mensagem dela foi como levar um soco na cara. Nunca vou esquecer", comenta Carol.
Dias depois, a microbiologista procurou um médico para falar sobre o assunto, passou por avaliações e foi diagnosticada.
A depressão pós-parto, que pode ocorrer após o nascimentoxbet 99um filho, é um problema que atinge muitas mulheres no mundo.
"É fundamental que essas mães recebam um apoio psicológico e emocional", diz diz o psiquiatra Lucas Spanemberg, professorxbet 99Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
"Nesses casos, é preciso intervenção médica, e o tratamento é feito conforme a gravidade do caso."
Um estudoxbet 992015 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com 23,9 mil mães, o maior feito sobre o tema no Brasil até hoje, apontou que 26,3% sofreramxbet 99depressão pós-parto.
Esses números são superiores a levantamentos internacionais, que apontam que esse problema afeta entre 10% e 20% das mães.

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Caroline e o marido, Gustavo, se mudaram para Toronto, no Canadá, onde decidiram construir a família
'Foi um desespero que nunca parecia ter fim'
Logo após o nascimento dos filhos, Caroline conta que estava "exausta, sem dormir e cansadaxbet 99amamentar 24 horas por dia".
Para ela, a maternidade era um sonhoxbet 99infância.
Na épocaxbet 99que os gêmeos nasceram, Caroline e o marido viviamxbet 99Toronto, para onde haviam se mudadoxbet 992019, e contavam com uma redexbet 99apoio pequena.
"A gente tinha dois casaisxbet 99amigos brasileiros que também ajudavam muito, mas eles moravam longe."
Caroline diz que naquele período ainda estavamxbet 99vigor no Canadá medidas contra a pandemiaxbet 99covid-19. Por isso, ela e o marido evitavam encontrar os poucos amigos.
"Comecei a desabafar no Twitter sobre como estava desgastante, principalmente a amamentação, porque meus filhos mamaram muito, e a faltaxbet 99horasxbet 99sono", conta.
"Muitas pessoas comentaram: 'ah, é assim mesmo'. Outras diziam: 'meu filho tem 6 anos e não dorme até hoje. Eu pensava: 'não pode ser assim'."
Caroline diz que não achava que resistiria à exaustão da maternidade.
"Eu pensava: 'não é possível que todo mundo passe por isso e sobreviva'. Parecia que,xbet 99alguma maneira, eu iria morrer."

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Caroline diz que ser mãe era sonhoxbet 99infância
"Foi uma coisa muito única, que nem sei descrever muito bem. Foi um desespero que nunca parecia ter fim. Não parecia ter solução, parecia que a única solução era eu sumirxbet 99meio ao desespero."
Caroline já tinha ouvido falar sobre depressão pós-parto, mas diz que não cogitava que pudesse ser o seu caso, até receber a mensagem da seguidora no X.
"Fiquei aterrorizada com a ideiaxbet 99que algo parecido (com o caso da seguidora) acontecesse comigo", diz.

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Mensagem que Caroline recebeuxbet 9922xbet 99fevereiro mudou a vida dela após se tornar mãe
'Olhava o tempo todo para minha filha com medoxbet 99que pudesse morrer'
Amanda* (nome fictício) entrouxbet 99contato com Caroline porque havia enfrentado meses antes um duro quadroxbet 99depressão pós-parto.
Ela diz que os sintomas começaram horas após o nascimento daxbet 99filha.
"Com menosxbet 99um mêsxbet 99nascimento da minha filha, chegou um momentoxbet 99que eu simplesmente não conseguia nem dormir", diz.
"Viviaxbet 99uma ansiedade enorme, olhava o tempo todo para ela com medoxbet 99que ela pudesse morrer."
A depressão se agravou ao longo das primeiras semanas após se tornar mãe.
"Não conseguia mais comer ou dormir. Não conseguia fazer mais nada", diz.
"Comecei a ter pensamentos ruins e suicidas, achava que seria melhor para a minha filha que eu morresse e ela ficasse só com o pai."
Amanda já tinha ouvido falar sobre depressão pós-parto, mas até então acreditava que isso só acontecia no terceiro ou quarto mês depois do nascimento.
O marido e os amigos notaram que ela estava cada vez pior, antes mesmoxbet 99a filha completar um mêsxbet 99vida.
"Meus amigos me carregaram ao hospitalxbet 99uma cadeiraxbet 99rodas, porque eu estava totalmente fraca, e o meu marido ficou com a minha filha", conta.
"Fiquei internada por alguns dias para me alimentar, dormir e conseguir me desligar um pouco."
Amanda começou um tratamento com antidepressivo e recebeu acompanhamento psicológico.
Ela teve alta dias depois e, a partirxbet 99então, diz que soube lidar melhor com a maternidade.
Ela acredita que uma das medidas que mais a ajudou foi fazer terapia com outras mães que também tiveram o mesmo problema.
"Cheguei a conhecer outras mães que também foram internadas. Nunca tinha ouvido falarxbet 99mãe que precisou ir ao hospital por isso. Foi bem importante para minha recuperação e aceitação", diz.

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Maisxbet 9925% das mães sofrem com algum grauxbet 99depressão pós-parto, segundo a Fiocruz
Ela continuaxbet 99tratamento contra a depressão. "Mas diminuí a dose do remédio", diz.
"Minha relação com a minha filha ficou maravilhosa. Hoje, sou muito grata por ter recebido ajuda. Fico feliz por ter conseguido ser uma mãe melhor, mais presente e emocionalmente disponível", conta Amanda.
Meses depoisxbet 99começar seu tratamento, Amanda se deparou com o relatoxbet 99Caroline sobre as dificuldades com a maternidade.
"Eu a seguia no Twitter, percebi uma angústia e um desespero nos tuítes dela sobre a maternidade e me identifiquei", diz.
"Notei que ela sempre fazia esses tuítes assim, foi quando pensei: 'vou mandar uma mensagem para ela contando do meu caso, vai que consigo ajudar...'."
O que é depressão pós-parto
A depressão pós-parto tem sintomas semelhantes aos da depressão típica: mau humor, ausênciaxbet 99sono ou concentração, sentimentoxbet 99culpa, faltaxbet 99motivação, alterações no apetite ou no peso, até fadiga, exaustão e pensamentosxbet 99morte ou suicídio, entre outros.
A principal diferença é que a depressão típica pode ocorrer a qualquer momento, enquanto a segunda ocorre após o nascimentoxbet 99um bebê.ao longo do primeiro anoxbet 99vida da criança.
Os especialistas dizem que é importante ressaltar que a depressão pós-parto não se resume às questões hormonais.
Caroline e Amanda tinham históricoxbet 99depressão antesxbet 99se tornarem mães – esse é um dos fatoresxbet 99risco para a doença pós-parto, segundo os estudos.
Há também outros fatores, como problemasxbet 99sono após o nascimento do bebê, faltaxbet 99redexbet 99apoio ou dificuldades financeiras.
Os especialistas frisam que é normal enfrentar problemasxbet 99saúde mental após o nascimentoxbet 99um filho.
Isso porque é um momentoxbet 99que muda quase tudo na vida da mulher: da rotina diária e a relação com o(a) parceiro(a) à quantidadexbet 99horasxbet 99sono por noite.
As estatísticas variam, mas especialistas estimam que até cercaxbet 9985% das mulheres experimentam algum tipoxbet 99tristeza pós-parto.

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Históricoxbet 99depressão, privação do sono e faltaxbet 99redexbet 99apoio estão entre algumas das causas da depressão pós-parto
Um dos tipos mais comuns é chamado baby blues, que especialistas apontam como uma tristeza que, diferente da depressão, costuma ter uma duração menor.
É como "uma alteração ou mudançaxbet 99humor que ocorre nas mulheres por volta do segundo ou terceiro dia após o parto, pode durar entre duas e três semanas, e regride espontaneamente", explicou a psicóloga perinatal Jazmín Mirelman,xbet 99reportagem da BBC.
Como o baby blues é mais leve e oscilante do que a depressão pós-parto, a mãe que sofre dele "ainda pode se divertir, curtir ou desconectar", disse Teresa Bobes Bascarán, especialistaxbet 99psicologia clínica da Universidadexbet 99Oviedo, na Espanha
Já na depressão pós-parto, a mãe pode enfrentar mau humor constante, faltaxbet 99motivação por semanas, evitar contato com outras pessoas, ter dificuldadesxbet 99concentração exbet 99tomar decisões, alémxbet 99questionamentos sobrexbet 99capacidade para cuidarxbet 99si mesma e do bebê.
Nesses casos, especialistas recomendam procurar um médico ou profissionalxbet 99saúde mental.
"É preciso monitorar esses casosxbet 99depressão. O tratamento é feitoxbet 99acordo com a gravidade do caso", diz o psiquiatra Lucas Spanemberg.
"Na imensa maioria das vezes, vai exigir o usoxbet 99algum tipoxbet 99antidepressivo por ao menos seis meses e,xbet 99alguns casos, pode ser por um prazo maior."
O especialista avalia que o tema ainda é pouco difundido e debatido no Brasil.
"Existe uma romantização da vinda do bebê, como se fosse resumida ao inícioxbet 99um cicloxbet 99felicidade e muito amor", diz.
"Mas é também um períodoxbet 99renúncia e que demanda muita energia."

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Nascimento dos filhos foi um momentoxbet 99muita alegria, mas também trouxe imensas dificuldades
A recuperaçãoxbet 99Caroline
Hoje, Caroline avalia que está recuperada da depressão pós-parto.
Dias depois da mensagem da seguidora, ela contou ao marido sobre como se sentia após se tornar mãe.
"Ele me apoiou e decidimos buscar ajuda", conta.
Ela procurou a médica que a acompanhou durante a gestação e contou os sintomas que enfrentava.
Caroline passou por um psiquiatra, recebeu o diagnóstico, começou o tratamentoxbet 99marçoxbet 992022 e terminou cercaxbet 99um ano e meio depois.
Agora, ela diz que enfrenta as dificuldades da maternidadexbet 99forma diferente.
"Antes do diagnóstico, os desafios pareciam muito grandes e agora não são mais tão grandes", diz.
"Criar um filho é sempre um desafio, mas esses desafios mudam ao longo dos anos", diz.
Nas redes, Caroline costuma falar sobre a depressão pós-parto com frequência.
Ela defende ser fundamental abordar o tema e lamenta que algumas mulheres acabam escondendo o problema e evitam buscar ajuda.
"A depressão já é um tabu, e a depressão pós-parto pode ser só mais uma coisa ignorada sobre a saúde da mulher", diz Caroline.
"Se você acha que alguma mãe não está bem, converse com essa pessoa, talvez ela precisexbet 99ajuda. Foi exatamente assim que a seguidora fez comigo, e foi o que me ajudou muito. É importante poder estender a mão para essa pessoa."
*O nome foi trocado a pedido da entrevistada.




