Por que imigração está causando 'crise humanitária sem precedentes'betfair bonus de boas vindasNova York:betfair bonus de boas vindas

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No trajeto, ela passou sete dias na selva, foi roubada no México, atravessou o Rio Bravo (conhecido como Rio Grande nos EUA), e chegou ao território americano no iníciobetfair bonus de boas vindasnovembro — sem nada.
"Parecia que ia morrer ali. De tanto chorar, comecei a sentir dor no estômago", diz ela à BBC News Mundo, serviçobetfair bonus de boas vindasnotíciasbetfair bonus de boas vindasespanhol da BBC, na sala aquecida do museu, enquanto a temperatura do ladobetfair bonus de boas vindasfora chegava pertobetfair bonus de boas vindas0 °C.
Agora, ela dormebetfair bonus de boas vindasum dos hotéis — alguns com até quatro estrelas — designados pela prefeiturabetfair bonus de boas vindasNova York para receber os maisbetfair bonus de boas vindas22 mil migrantes que chegaram à cidade desde abril passado: muitos são venezuelanos fugindo da crise econômicabetfair bonus de boas vindasseu país; outros estão tentando escapar da insegurança na América Central.

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Em outubro, o prefeitobetfair bonus de boas vindasNova York, Eric Adams, declarou estadobetfair bonus de boas vindasemergência quando os abrigos começaram a lotar devido ao grande númerobetfair bonus de boas vindasmigrantes — que, embetfair bonus de boas vindasmaioria, depoisbetfair bonus de boas vindascruzar a fronteira no Texas ou no Arizona, chegarambetfair bonus de boas vindasônibus a Nova York.
Esses ônibus são custeados por organizações beneficentes e, agora, sobretudo, por governos estaduais republicanos que querem dar um golpe político ao transferir o desafio da imigração para territórios democratas, como Nova York.
A cidade chegou a montar uma tenda gigante na Randalls Island durante quase um mês, como formabetfair bonus de boas vindasampliar a ofertabetfair bonus de boas vindasalojamento.
'Crise humanitária'
A cidadebetfair bonus de boas vindasNova York enfrenta "uma crise humanitária sem precedentes", informou o gabinete do prefeitobetfair bonus de boas vindasum comunicado ao prorrogar o estadobetfair bonus de boas vindasemergênciabetfair bonus de boas vindas21betfair bonus de boas vindasnovembro.
"Se os solicitantesbetfair bonus de boas vindasasilo continuarem chegando no ritmo atual, a população total dentro do sistemabetfair bonus de boas vindasabrigos ultrapassará 100 mil pessoas no próximo ano", alertou.
Trata-sebetfair bonus de boas vindasum número nunca antes registrado nos abrigos da cidade, segundo as autoridades locais.

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Historicamente, a cidadebetfair bonus de boas vindasNova York sempre foi um farol para os migrantes. É o que mostra seu símbolo: a Estátua da Liberdade.
No século 19, a estátua deu as boas-vindas a milharesbetfair bonus de boas vindasmigrantesbetfair bonus de boas vindasvários continentes que buscavam na cidade americana um novo lar.
Mas essa nova ondabetfair bonus de boas vindasmigrantes que cruzam a fronteira sul dos Estados Unidos está colocando à provabetfair bonus de boas vindasreputaçãobetfair bonus de boas vindas"cidade-santuário": as autoridades locais se recusam a aplicar as duras políticasbetfair bonus de boas vindasmigração do governo federal.
Por lei, Nova York deve dar refúgio a quem solicitar.
"Não estamos dizendo a ninguém que Nova York pode abrigar todos os migrantes da cidade. Não estamos incentivando as pessoas a enviar oito, nove ônibus por dia. Estamos dizendo que, como cidade-santuário e com direito à moradia, vamos cumprir nossa obrigação", declarou Adamsbetfair bonus de boas vindassetembro.

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Maisbetfair bonus de boas vindasdois milhõesbetfair bonus de boas vindasmigrantes foram detidos na fronteira entre os Estados Unidos e o México no ano passado, um número recorde que preocupa politicamente o governobetfair bonus de boas vindasJoe Biden.
A maioria dos que tentam cruzar a fronteira a pé são venezuelanos, nicaraguenses e cubanos, segundo dados do Departamentobetfair bonus de boas vindasAlfândega e Proteçãobetfair bonus de boas vindasFronteiras dos EUA (CBP, na siglabetfair bonus de boas vindasinglês).
Maisbetfair bonus de boas vindas150 mil venezuelanos conseguiram entrarbetfair bonus de boas vindasterritório americano pela fronteira com o México durante o último ano fiscal, um aumentobetfair bonus de boas vindas293%betfair bonus de boas vindasrelação ao ano anterior.
É por isso que,betfair bonus de boas vindasmeadosbetfair bonus de boas vindasoutubro, o governobetfair bonus de boas vindasJoe Biden decretou que "os venezuelanos que entrarem nos Estados Unidos sem autorização por áreas localizadas entre os portosbetfair bonus de boas vindasentrada serão devolvidos ao México".

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O CBP afirma que, desde que essa medida foi aplicada, houve uma queda significativabetfair bonus de boas vindas35%betfair bonus de boas vindassetembro (33.804) a outubro (22.044) no númerobetfair bonus de boas vindasvenezuelanos que tentavam cruzar a fronteira.
O governo também criou um sistema para que 24 mil venezuelanos cheguem legalmente, nos moldes do sistema criado para receber os ucranianos que fogem da invasão russa.
Em geral, as autoridades processam os migrantes na fronteira — eles são então liberados e autorizados a se movimentar pelos EUA enquanto aguardam o processo judicialbetfair bonus de boas vindassolicitaçãobetfair bonus de boas vindasasilo, quebetfair bonus de boas vindasalguns casos pode levar anos.

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Beruska é um dos migrantes que conseguiu atravessar a fronteira pelo Texas e chegar a Nova York.
"Estou bem no hotel. Tenho comida e um lugar para dormir", diz ela agradecida, enquanto carregava um bolobetfair bonus de boas vindasAçãobetfair bonus de boas vindasGraças doado aos maisbetfair bonus de boas vindas250 imigrantes que participaram do eventobetfair bonus de boas vindas"Dia da Comunidade" no MET.
Mas ela sabe que a ajuda que recebe hoje não vai durar para sempre.
Ela conta que fez uma consulta médicabetfair bonus de boas vindasum hospital por causa da gestação quando chegou a Nova York. E foi orientada a voltar quando sentisse dor. Mas ela não sabe quais são os próximos passosbetfair bonus de boas vindasrelação àbetfair bonus de boas vindascoberturabetfair bonus de boas vindassaúde, um dos grandes desafios para os recém-chegados ao país.
Apesar do seu otimismo e do fatobetfair bonus de boas vindaso marido ter acabadobetfair bonus de boas vindasarrumar um empregobetfair bonus de boas vindasuma redebetfair bonus de boas vindasfast food, Beruska se pergunta se essa renda será suficiente para criar e sustentarbetfair bonus de boas vindasfilhabetfair bonus de boas vindasuma cidade com tantos obstáculos para que migrantes sem documentação possam conseguir trabalho, segurobetfair bonus de boas vindassaúde e um teto.
Só com a roupa do corpo
"Uma pergunta: vocês trouxeram roupas masculinas?", indaga um rapaz durante uma noite friabetfair bonus de boas vindasManhattan,betfair bonus de boas vindasmeadosbetfair bonus de boas vindasnovembro.
A pergunta é dirigida a Yajaira "Yaya" Saavedra, que chegou pouco antes com dois carros carregadosbetfair bonus de boas vindascaixas e sacolas na esquina do hotel The Row, uma das acomodações ocupadas por migrantes na áreabetfair bonus de boas vindasHell's Kitchen,betfair bonus de boas vindasNova York.

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A mulherbetfair bonus de boas vindas34 anos é dona do La Morada, um restaurante familiarbetfair bonus de boas vindascomida mexicana no Bronx.
Mas ela diz que metadebetfair bonus de boas vindassua operação é dedicada agora à distribuiçãobetfair bonus de boas vindasdoações.
"Desde abril, estamos ajudando as pessoas que vêm para Nova York. Às terças e quintas, saímos para distribuir. Recebemos doações, mas compramos a maioria", afirma à BBC News Mundo.
Junto a um grupobetfair bonus de boas vindascolaboradores, ela distribui alimentos e principalmente roupas nos hotéis e abrigosbetfair bonus de boas vindasque os migrantes estão hospedados, porque a maioria deles chega só com a roupa do corpo.
"Esta é uma das cidades mais ricas do mundo. Se eu, com o pouco dinheiro que tenho, ajudo, creio que o governo pode fazer mais. A cidade deve oferecer moradia às pessoas. Isso é desumano", diz ela, apesar da ajuda prestada pela cidade.
"Este país não pode existir sem migrantes", acrescenta "Yaya", que chegou aos Estados Unidos cruzando a pé a fronteira há três décadas.

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Nessa mesma esquina, na 8ª avenida com a rua 44, surge Sara,betfair bonus de boas vindas17 anos, com um bebêbetfair bonus de boas vindaspouco maisbetfair bonus de boas vindas1 ano.
Ela saiu da Venezuela caminhando com seu companheiro.
"Vim porque quero dar um futuro melhor para minha filha. Também estou procurando um futuro para mim, quero estudar", ela afirma, enquanto recebe algumas mudasbetfair bonus de boas vindasroupa para a filha.
"Graças a Deus estoubetfair bonus de boas vindasNova York. Aqui poderei alcançar meu objetivo", diz esperançosa.
Ela explica que passou alguns dias no Texas, mas sabia que receberia mais ajuda na Big Apple.

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Osiris Pulgar,betfair bonus de boas vindas21 anos, estábetfair bonus de boas vindasbuscabetfair bonus de boas vindasuma comida quente — e compartilha da mesma opinião.
"Vim para Nova York porque sei que aqui eles priorizam a ajuda mais do quebetfair bonus de boas vindasoutros estados", diz ela, depoisbetfair bonus de boas vindaspassar um tempo com a filhabetfair bonus de boas vindas4 anos e o companheiro no Texas, onde não se sentiam bem-vindos.
"Estou procurando um emprego para fazer qualquer coisa, faxina, qualquer coisa. Não consigo encontrar. Preciso dos papéis e aprender inglês. Mas não vou desistir. Quero dar à minha filha o que não pude ter", afirma.

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Os papéis a que Osiris se refere é o pedidobetfair bonus de boas vindasasilo nos Estados Unidos. Após ser aprovado, garantiria a ela permissão para trabalhar.
"Tenho esperança e fébetfair bonus de boas vindasque as coisas vão melhorar aqui", diz ela. "Não hesitariabetfair bonus de boas vindasme mudar para outro estado se conseguisse um emprego."
'O sonho americano não existe'
Pelo menos uma dúziabetfair bonus de boas vindasmigrantes com quem a BBC News Mundo conversoubetfair bonus de boas vindasNova York repetem com otimismo que buscam um futuro melhor do que o que seus países podem oferecer. E pretendem atingir seus objetivos trabalhando. Eles também reiteram que arrumar emprego não é fácil.
"Vamos progredir trabalhando", diz confiante Lorena, uma colombianabetfair bonus de boas vindas43 anos que chegou a Nova York com a filha Loraine,betfair bonus de boas vindas12 anos, que é venezuelana.

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Ela conta que a filha mais nova ficou na Venezuela com a avó, porque não tinha dinheiro para levar toda a família. E reza para que possa trazê-la logo.
"Vamos ver como fazemos com os papéis. Temos um agendamento [com a migração] para 2024", diz ela.

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Karen Barrolleta,betfair bonus de boas vindas41 anos, conta que chegou com a família da Venezuela há cercabetfair bonus de boas vindastrês meses — e mora com o marido e a filha, Eliexy Ramos,betfair bonus de boas vindas14 anos,betfair bonus de boas vindasum dos hotéis destinados a migrantes perto da Times Square,betfair bonus de boas vindasManhattan.
"Muita gente chega aquibetfair bonus de boas vindasbusca do sonho americano, mas o sonho americano não existe. Não vão te receber com uma casa ou um carro. Se você não trabalhar, ninguém vai te darbetfair bonus de boas vindasmão beijada. Tudo na vida que vale a pena custa e se conquista trabalhando", enfatiza.
Resistir na cidade mais cara dos EUA
Nova York é a cidade mais cara dos Estados Unidos — 8,5 milhõesbetfair bonus de boas vindaspessoas vivem aqui; sóbetfair bonus de boas vindasManhattan são cercabetfair bonus de boas vindas1,7 milhão.
O índicebetfair bonus de boas vindascustobetfair bonus de boas vindasvida é 237,8% mais alto do que a média nacional,betfair bonus de boas vindasacordo com o Council for Community and Economic Research.

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Tudo é caro na cidade, desde comida até transporte público e moradia. A renda média per capita ébetfair bonus de boas vindasquase US$ 77 mil.
A taxabetfair bonus de boas vindasdesemprego da cidade com ajuste sazonal foibetfair bonus de boas vindas5,9%betfair bonus de boas vindasoutubrobetfair bonus de boas vindas2022, uma altabetfair bonus de boas vindas0,3%betfair bonus de boas vindasrelação a setembro e uma quedabetfair bonus de boas vindas2%betfair bonus de boas vindasrelação a outubro do ano passado. A taxabetfair bonus de boas vindasdesemprego nacional está próximabetfair bonus de boas vindas3,7%.

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Conseguir emprego não é uma tarefa fácil para os migrantes. E é muito mais complicado sem documentação ou treinamento.
Por exemplo, no setorbetfair bonus de boas vindasconstruçãobetfair bonus de boas vindasNova York, os trabalhadores precisambetfair bonus de boas vindasdois cursos que custam entre US$ 100 e US$ 400.
"Oferecemos cursos gratuitos. Não é uma autorizaçãobetfair bonus de boas vindastrabalho, mas é uma preparação para que possam entrar nessa redebetfair bonus de boas vindasconstrução", explica Yesenia Mata, diretora executiva da La Colmena, organização que ajuda e representa a comunidade e os trabalhadores migrantesbetfair bonus de boas vindasStaten Island,betfair bonus de boas vindasNova York.

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"A missão é garantir que os trabalhadores e as trabalhadoras migrantes possam, por meio da educação, se defender sozinhos no trabalho", explica.
Desde abril passado, Mata conta que o fluxobetfair bonus de boas vindasmigrantes aumentou significativamente. E que o sotaque venezuelano predomina nas consultas que são feitas todas as manhãs na sede da organização.
"Temos uma listabetfair bonus de boas vindasesperabetfair bonus de boas vindas300 pessoas para os cursos", acrescenta.
"A necessidade do trabalhador migrante que está aqui há algum tempo é muito diferente da necessidadebetfair bonus de boas vindasquem acababetfair bonus de boas vindaschegar", pontua Mata, contando que a organização introduziu cursos para os migrantes que chegaram nos últimos meses, para ajudá-los a se inserir na sociedadebetfair bonus de boas vindasNova York.
"Muitos dizem que o migrante não é forte. Mas uma pessoa que passou por tanto para chegar aqui é muito forte, resiliente. Os migrantes precisambetfair bonus de boas vindasuma oportunidade para se superar", afirma.

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Enquanto isso, na sala do MET, Beruska não perde o sorriso caloroso, apesarbetfair bonus de boas vindastudo o que passou para chegar a Nova York.
"Valeu a pena", repetebetfair bonus de boas vindasvoz alta.
"Saí do Equador porque tinha muita criminalidade, e da Venezuela, por causa da crise que já se conhece. Esperobetfair bonus de boas vindasNova York começar uma nova vida com meu marido e minha princesa, que vai nascerbetfair bonus de boas vindasbreve", diz ela.
"Estou pensandobetfair bonus de boas vindaschamar minha filhabetfair bonus de boas vindasVictoria. Chegar aqui é uma vitória."
*Vários entrevistados preferiram não revelar o sobrenome por medobetfair bonus de boas vindasrepresálias.
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